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publicado em 7 de outubro de 2019

Rotação de culturas: conheça essa prática que conserva e protege o solo

A rotação de culturas é uma das Boas Práticas Agronômicas porque contribui com a conservação do solo e com o controle de pragas e doenças da lavoura.

Rotação de culturas: o que é e qual a sua importância
A rotação de culturas consiste em alternar, de forma ordenada, diferentes espécies vegetais em determinado espaço de tempo, na mesma área e na mesma estação do ano. As espécies escolhidas devem ter, ao mesmo tempo, propósito comercial e de recuperação do solo. Dessa forma, evita-se também o desenvolvimento de pragas e doenças devido à alternância de espécies de plantas hospedeiras.

A monocultura (cultivo de uma única cultura durante várias safras) ou até mesmo a sucessão de culturas (alternância entre duas culturas na mesma área, cada uma cultivada em uma estação do ano – safra e entressafra) tendem a provocar a degradação física, química e biológica do solo. Esses sistemas também podem provocar a queda da produtividade das culturas, pois favorecem o desenvolvimento de pragas, doenças e plantas daninhas.

Com a adoção da prática de rotação de culturas esses efeitos podem ser revertidos ou minimizados. A prática oferece benefícios que ajudam a conservar e proteger o solo. Também promove maior diversidade de espécies, ou seja, maior sustentabilidade na produção agrícola.

Benefícios da rotação de culturas
Os benefícios da rotação de culturas são:

  • Melhoria das características físicas, químicas e também biológicas do solo;
  • Auxílio no controle de plantas daninhas, doenças e pragas;
  • Reposição de matéria orgânica e proteção do solo de ações climáticas;
  • Viabilização do sistema de plantio direto e dos seus efeitos sobre a produção agrícola e sobre o ambiente como um todo;
  • Aumento da produtividade.

Como adotar a prática de rotação de culturas

Para a obtenção de máxima eficiência na melhoria da capacidade produtiva do solo, o planejamento da rotação de culturas deve considerar:

  • O uso, preferencialmente, de plantas comerciais, pois estas implicam em geração de renda para o produtor;
  • Utilização de culturas que possuem sistemas radiculares diferentes (gramíneas e leguminosas, por exemplo), onde cada espécie deixa um efeito residual positivo para o solo e para a cultura sucessora;
  • Sempre que possível, associar espécies que produzam grande quantidade de biomassa e também de rápido desenvolvimento, cultivadas isoladamente ou em consórcio com culturas comerciais.

Nesse planejamento é necessário considerar que não basta apenas estabelecer e conduzir a melhor sequência de culturas, dispondo-as nas diferentes divisões na propriedade. É necessário também que o agricultor utilize todas as demais tecnologias à sua disposição, entre as quais destacam-se:

  • técnicas específicas para controle de erosão;
  • cultivares adaptadas;
  • qualidade e tratamento das sementes;
  • época e densidade de semeadura;
  • uso de defensivos para controle de plantas daninhas, pragas e doenças;
  • época e densidade da semeadura;
  • calagem;
  • adubação.

Espécies utilizadas para rotação de cultura no Brasil
Para a obtenção de um sistema mais produtivo e ambientalmente mais sustentável é fundamental estar atento à escolha das espécies para a rotação de culturas. No Brasil, devido à pouca disponibilidade de espécies de valor comercial adaptadas às diferentes condições, utiliza-se plantas de cobertura e adubos verdes. Essas podem ser: aveia-branca (Avena sativa), aveia-preta (Avena strigose), milheto (Pennisetum glaucum), tremoço (Lupinus albus L), girassol (Helianthus annuus) e várias espécies de pastagens, entre outras.

“A escolha das culturas para a diversificação deve ser feita com embasamento técnico, apropriada para cada região produtora, levando-se em consideração a disponibilidade de sementes.”

Mesmo assim, essas espécies também possuem o seu desenvolvimento dependente das condições do solo, do clima e da época de cultivo. Independentemente da cultura comercial utilizada e da região, elas são importantes para a produção de palhada e para o controle da erosão.

Geralmente essas espécies produzem grandes quantidades de biomassa. Podem ser cultivadas isoladamente ou em consórcio com outras culturas. Dessa forma propiciam excelentes condições para a manutenção de altas produtividades ou para recuperação de áreas degradadas.

Fonte: Boas práticas